jan 17, 2012
Coaching ou Consultoria?
Carl Rogers, prestigioso psicólogo humanista norte-americano, autor do antológico “Tornar-se pessoa”, relatou, quando esteve por aqui, o que chamava de “seu maior sucesso em aconselhamento”.
Contava ele que, psicólogo de apoio aos estudantes, na Universidade de Chicago, lá um dia adentrou seu consultório uma aluna que, calada, sentou-se e começou a chorar. Daí chorou e mais chorou, enquanto ele, também calado, aguardava compassivo. Daí a minutos ela levantou-se e, ainda calada, foi-se embora, sem mais explicações.Daí uns dias, passando pelo “campus” Rogers encontrou-se com a “paciente” que, abraçando-o emocionada confidenciou: “ Sabe, Professor, nunca ninguém me ouviu assim antes, com tanta atenção!” E foi-se embora …
Anos mais tarde- continuou ele,- encontro novamente a estudante- agora psicóloga atuante e bastante conhecida-, num Congresso de Psicologia, em Nova York. No intervalo dos trabalhos ela chamou-me em particular: “Lembra lá em Chicago? Pois é, naquele dia mesmo eu tinha resolvido me suicidar… o senhor salvou minha vida!”
Pois é, saber ouvir… Um talento que, decididamente, o Consultor terá que possuir e desenvolver, ao longo de toda sua vida profissional. Até porque- sempre dependendo de pessoas- terá ele que, necessariamente, assumir diversos papeis e posturas para ser bem sucedido.
Assim, às vezes ele é o Consultor “Técnico”: o que sabe das coisas, que identifica e resolve o problema e até implanta a solução. Já em outras ocasiões vai ser ele o “Conselheiro”, adotando postura mais passiva, não intervencionista, colocando seus pontos de vista até sem maior envolvimento ou responsabilidade.
Ele pode ser ainda um Consultor “Parceiro” , associando-se à implantação efetiva e aos resultados obtidos, e isso até com cláusula- prêmio gratificado pelo sucesso de sua intervenção- Consultoria de êxito,enfim… E, talvez, com maior frequência ainda, terá ele que ser “Professor”- treinando e desenvolvendo pessoas, transmitindo habilidades e potencializando aptidões.
No entanto, no mais das vezes, nas empresas de profissionais liberais, no empreendimento de um só cotista majoritário- o restante são sócios nominais -, ou mesmo ainda, na empresa familiar o nosso profissional se vê num dilema: Afinal, o que está ele ali fazendo: Coaching ou Consultoria?
À vista disso, ocorre que esses dois papeis têm, geralmente, muito de semelhante embora com algumas diferenças significativas, entre outras:
Características Consultoria Coaching
Foco A empresa O individuo
Objetivo 1º Otimização de resultados Qualidade de vida
Duração Tempo pré-fixado Sem limitação temporal
Instrumentos Ferramentas de diagnóstico Entrevistas pessoais
Apoio Equipes de de Consultores Um só Consultor
Processo Pesquisa e analise de dados Catarse individual
Sucesso Objetivamente mensurável Resultados subjetivos
Atitude Racional Emocional( casual)
Comunicação Profissional Tipo “catártico”
Inclusive, complicando mais as coisas, a Consultoria nem sempre é um trabalho linear e definido. Passa ela, com frequência, por uma evolução dinâmica, um processo de mudança dos recursos e pessoas envolvidos. Assim, quando o Consultor se impõe como profissional e, mais ainda, como pessoa experiente capaz e inteligente, corre ele o risco de começar pelo Planejamento Estratégico da empresa e acabar por se envolver com o filho do dono- que não quer nada com o trabalho! -, ou até ir dos problemas do Setor de Transporte para os da sogra ou do cunhado – definitivamente dois alienados… Ou seja, começamos por Consultoria tradicional e acabamos num disfarçado Coaching!
O que fazer? Algumas sugestões:
a) Focar no trabalho, nas pessoas e atividades e nos objetivos iniciais do trabalho;
b) Fixar um limite de tempo, perseguindo prazos e encerrando o serviço de acordo com o combinado;
c) Adotar atitude profissional, procurando não misturar a relação de trabalho com amizade mais íntima;
d) Encaminhar relatórios parciais, durante o processo, dando a maior transparência quanto às metas já alcançadas e as por alcançar lembrando, sempre que possível, qual o trabalho de fato contratado;
e) Repactuar, se for o caso, o contrato de Consultoria, ampliando-o para incluir o Coaching, seja conduzido pelo mesmo profissional ou por outro, contratado para tanto;
f) Estabelecer controle do tempo e oportunidade das consultas, evitando, dentro do possível, que o cliente “nos alugue”, invadindo nossa programação e até nossa intimidade;
g) Finalmente- o mais difícil!- tente assumir essa postura diferenciada e profissional, sem ofender o Cliente!Aliás, quando de sua conferência aqui no Rio, o psicólogo enfatizou “O segredo, gente, é o Consultor adotar uma atitude e um comportamento positivo e incondicional de apoio e aceitação, facilitando e estimulando a catarse. Afinal, Deus nos deu DOIS ouvidos, mas UMA só boca, portanto…” , terminou nosso Rogers.
Prof.e Consultor Paulo Jacobsen
* Extraído do material do Curso de Desenvolvimento de Consultores, módulo 4- Administração dos serviços de Coaching em Consultoria.
* Extraído do material do Curso de Desenvolvimento de Consultores, módulo 4- Administração dos serviços de Coaching em Consultoria.

